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	<title>Laura Guerra</title>
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		<title>O Transtorno de Personalidade Borderline e a Possibilidade de Tratamento</title>
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		<pubDate>Wed, 03 Dec 2025 17:16:27 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Psicoterapias]]></category>
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					<description><![CDATA[Laura Guerra &#8211; Psicóloga Clínica &#8211; CRP 01 8482 O Transtorno de Personalidade Borderline (TPB) é uma condição psiquiátrica caracterizada por instabilidade emocional intensa, relacionamentos interpessoais tumultuados e comportamentos impulsivos. Pessoas com TPB costumam apresentar mudanças rápidas de humor, sentimentos crônicos de vazio, medo intenso de abandono e episódios de raiva desproporcional. Esses sintomas podem [&#8230;]]]></description>
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<p style="font-style:normal;font-weight:100">Laura Guerra &#8211; Psicóloga Clínica &#8211; CRP 01 8482</p>



<h4 class="wp-block-heading has-text-color has-link-color wp-elements-69a06c9c555381801ef025fee6a90628" style="color:#a68937">O Transtorno de Personalidade Borderline (TPB) é uma condição psiquiátrica caracterizada por instabilidade emocional intensa, relacionamentos interpessoais tumultuados e comportamentos impulsivos. Pessoas com TPB costumam apresentar mudanças rápidas de humor, sentimentos crônicos de vazio, medo intenso de abandono e episódios de raiva desproporcional. Esses sintomas podem levar a dificuldades significativas no funcionamento social e ocupacional, além de aumentar o risco de comportamentos autodestrutivos e tentativas de suicídio (AMERICAN PSYCHIATRIC ASSOCIATION, 2014; LIEB et al., 2004).</h4>



<h3 class="wp-block-heading">Prevalência e Impacto na Vida dos Indivíduos</h3>



<p>Estudos epidemiológicos indicam que o TPB afeta cerca de 1–2% da população geral e é mais frequentemente diagnosticado em mulheres, embora também acometa homens em número significativo (LIEB et al., 2004). O transtorno costuma se manifestar no final da adolescência ou início da idade adulta e, sem tratamento, pode manter-se de forma crônica, com importantes oscilações de intensidade dos sintomas ao longo do tempo (ZANARINI et al., 2003).</p>



<p>A instabilidade emocional típica do TPB leva a flutuações extremas no humor, muitas vezes ao longo de um mesmo dia, comprometendo o bem-estar subjetivo e a capacidade de planejamento. As relações interpessoais tendem a ser intensas e instáveis, marcadas por idealização e desvalorização, medo de abandono e explosões de raiva. Isso pode resultar em rompimentos frequentes, isolamento social e dificuldades em manter vínculos afetivos mais estáveis (AMERICAN PSYCHIATRIC ASSOCIATION, 2014).</p>



<p>No campo dos comportamentos, impulsividade em áreas potencialmente danosas é muito comum, incluindo automutilação, abuso de substâncias, compulsividade em alimentação ou sexualidade e atitudes de risco em geral. Esses comportamentos aumentam a chance de complicações médicas, legais e sociais. O risco de suicídio é significativamente elevado, com uma proporção importante de pacientes apresentando tentativas de suicídio ao longo da vida (LIEB et al., 2004). Tudo isso torna essencial o diagnóstico precoce e o manejo adequado.</p>



<h3 class="wp-block-heading">Diagnóstico Diferencial e Comorbidades Comuns</h3>



<p>O diagnóstico de TPB é feito com base nos critérios do DSM-5, que descreve um padrão persistente de instabilidade nas relações interpessoais, na autoimagem e na afetividade, acompanhado de impulsividade marcante (AMERICAN PSYCHIATRIC ASSOCIATION, 2014). Diferenciar o TPB de outros quadros é um passo delicado e fundamental – especialmente de transtornos de humor, como o transtorno bipolar, e de outros transtornos de personalidade.</p>



<p>Enquanto o transtorno bipolar é marcado por episódios bem delimitados de mania ou hipomania, alternando com depressão, no TPB a oscilação afetiva é mais reativa a eventos interpessoais e menos organizada em episódios claros. Já em relação aos outros transtornos de personalidade, o TPB costuma se destacar pela intensidade da angústia, pela impulsividade e pelo medo de abandono (LIEB et al., 2004; GUNDERSON, 2014).</p>



<p>Além disso, o TPB frequentemente coexiste com depressão maior, transtornos de ansiedade, transtornos alimentares e abuso de substâncias. Essas comorbidades complicam a apresentação clínica e o tratamento, exigindo uma abordagem integrada que considere tanto o transtorno de personalidade quanto os outros diagnósticos associados (LIEB et al., 2004; ZANARINI et al., 2003).</p>



<hr class="wp-block-separator has-alpha-channel-opacity"/>



<h2 class="wp-block-heading">Etiologia do Transtorno de Personalidade Borderline</h2>



<h3 class="wp-block-heading">Fatores Genéticos e Hereditários</h3>



<p>A pesquisa em genética comportamental mostra que o TPB tem uma componente hereditária significativa, com estudos de gêmeos indicando herdabilidade moderada, em torno de 40–60% (TORGERSEN et al., 2000). Isso significa que certas vulnerabilidades emocionais e de temperamento podem ser transmitidas geneticamente, aumentando a probabilidade de desenvolvimento do transtorno em contextos ambientais adversos.</p>



<p>Alguns estudos sugerem o envolvimento de sistemas neurotransmissores, como o serotoninérgico, na impulsividade e na labilidade afetiva típicas do TPB, embora não exista um “gene do borderline”. O quadro surge, em geral, da interação entre predisposições biológicas inespecíficas e experiências de vida marcantes (SKODOL et al., 2002).</p>



<h3 class="wp-block-heading">Influências Neurobiológicas e Anomalias Cerebrais</h3>



<p>No campo da neurobiologia, estudos de neuroimagem têm mostrado padrões de funcionamento alterado em regiões cerebrais envolvidas na regulação emocional. Observa-se, em muitos pacientes com TPB, uma hiper-reatividade da amígdala – região ligada ao medo, à ameaça e à detecção rápida de estímulos emocionais – e uma ativação reduzida de áreas do córtex pré-frontal vinculadas ao controle inibitório e ao planejamento (MINZENBERG et al., 2008).</p>



<p>Alguns achados também apontam para alterações em estruturas como hipocampo e amígdala em pacientes com histórico de abuso infantil e TPB, sugerindo uma possível associação entre trauma precoce, estresse crônico e remodelação dessas áreas (SCHMAHL et al., 2003). Esses dados reforçam a ideia de que o cérebro é profundamente sensível ao ambiente relacional e às experiências emocionais ao longo do desenvolvimento.</p>



<h3 class="wp-block-heading">Contribuições Psicológicas e Traumas na Infância</h3>



<p>Do ponto de vista psicológico, é alta a frequência de experiências traumáticas na infância em pacientes com TPB, incluindo abuso físico, emocional ou sexual e situações de negligência grave. Essas vivências tendem a comprometer o desenvolvimento de um apego seguro com as figuras cuidadoras, favorecendo padrões relacionais marcados por desconfiança, medo de abandono, oscilação entre idealização e desvalorização e dificuldade em manter uma imagem estável de si (FONAGY et al., 2000).</p>



<p>Autores que trabalham com o conceito de mentalização – a capacidade de compreender a si e aos outros em termos de estados mentais – sugerem que ambientes imprevisíveis e pouco sensíveis às necessidades emocionais da criança podem fragilizar o desenvolvimento dessa capacidade, predispondo à desregulação afetiva e aos padrões relacionais caóticos que vemos no TPB (FONAGY et al., 2000).</p>



<h3 class="wp-block-heading">Fatores Ambientais e Epigenéticos</h3>



<p>Além da genética e das experiências precoces, entram em cena os fatores epigenéticos: mecanismos biológicos que regulam a expressão dos genes sem alterar a sequência do DNA. Estudos em modelos animais e humanos demonstram que o estresse precoce – incluindo cuidados maternos inconsistentes ou ambientes extremamente estressantes – pode modificar padrões de metilação em genes relacionados ao eixo do estresse, influenciando a sensibilidade futura à ansiedade, ao medo e à desregulação emocional (MEANEY; SZYF, 2005).</p>



<p>Isso significa que um ambiente familiar caótico, com violência, invalidação crônica ou ausência de suporte, pode “marcar” o organismo, aumentando a vulnerabilidade a quadros como o TPB. Por outro lado, ambientes de cuidado mais estáveis e relações terapêuticas consistentes podem, ao longo do tempo, favorecer mudanças epigenéticas em direção à maior resiliência (MEANEY; SZYF, 2005).</p>



<hr class="wp-block-separator has-alpha-channel-opacity"/>



<h2 class="wp-block-heading">A Possibilidade de Tratamento</h2>



<p>Apesar de ser um transtorno complexo e frequentemente estigmatizado, hoje sabemos que o TPB é tratável. Com intervenções adequadas, muitos pacientes apresentam melhora significativa na qualidade de vida, na capacidade de regular emoções e no modo como se relacionam com os outros (LIEB et al., 2004; ZANARINI et al., 2003).</p>



<p>As evidências atuais indicam que abordagens psicoterapêuticas estruturadas, aliadas a um manejo psiquiátrico cuidadoso quando necessário, podem reduzir comportamentos autodestrutivos, tentativas de suicídio, internações e melhorar o funcionamento global. Em termos neurobiológicos, fala-se cada vez mais em plasticidade neuronal e em possíveis efeitos epigenéticos da terapia, ou seja, mudanças duradouras tanto na organização psíquica quanto nos circuitos cerebrais relacionados à emoção e ao estresse (MEANEY; SZYF, 2005; MINZENBERG et al., 2008).</p>



<h2 class="wp-block-heading">Formas de Tratamento Baseadas na Psicanálise</h2>



<h3 class="wp-block-heading">Terapia Focada na Transferência (TFP)</h3>



<p>A Terapia Focada na Transferência (TFP), desenvolvida por Otto Kernberg e colaboradores, é uma abordagem psicanalítica específica para transtornos de personalidade graves, especialmente o TPB. A TFP parte da ideia de que o paciente vive organizado em torno de representações internas divididas de si e dos outros (idealizadas ou persecutórias), que se repetem nas relações atuais, inclusive na relação com o terapeuta (CLARKIN; YEOMANS; KERNBERG, 2006).</p>



<p>O foco do tratamento é justamente analisar essas experiências emocionais à medida que aparecem na transferência – isto é, na relação paciente–terapeuta – ajudando o paciente a integrar aspectos contraditórios do self e dos outros. Estudos clínicos mostram que a TFP pode reduzir impulsividade, comportamentos autodestrutivos e melhorar a estabilidade da identidade em pacientes borderline (CLARKIN et al., 2007).</p>



<h3 class="wp-block-heading">Terapia Baseada na Mentalização (MBT)</h3>



<p>A Terapia Baseada na Mentalização (MBT), criada por Anthony Bateman e Peter Fonagy, é uma abordagem que também tem como alvo principal o TPB. Ela parte da ideia de que, em contextos de apego traumático ou extremamente instável, a capacidade de mentalizar fica comprometida, e o indivíduo tende a reagir de forma impulsiva e concreta às emoções (BATEMAN; FONAGY, 2004; FONAGY et al., 2000).</p>



<p>Na MBT, terapeuta e paciente trabalham em conjunto para nomear, explorar e compreender estados mentais – emoções, pensamentos, intenções – tanto do paciente quanto das figuras significativas em sua vida. O objetivo é aumentar a capacidade de refletir antes de agir, sustentar a ambivalência e lidar com conflitos internos e interpessoais sem recorrer a soluções autodestrutivas. Estudos de seguimento mostram que a MBT reduz comportamentos autolesivos, melhora a regulação afetiva e favorece a construção de relações mais estáveis (BATEMAN; FONAGY, 2008).</p>



<h3 class="wp-block-heading">Princípios e Técnicas em Comum</h3>



<p>Embora TFP e MBT tenham diferenças teóricas importantes, ambas compartilham alguns pontos centrais:</p>



<ul class="wp-block-list">
<li>oferecem um enquadre claro e consistente;<br></li>



<li>trabalham intensamente com a relação terapêutica;<br></li>



<li>ajudam o paciente a dar sentido às próprias experiências emocionais;<br></li>



<li>visam integrar aspectos dissociados da identidade.<br></li>
</ul>



<p>Na TFP, o foco recai na análise da transferência e das representações internas de objeto. Na MBT, o eixo é a mentalização – a capacidade de pensar sobre o que se sente e sobre o que o outro pode estar sentindo. Nos dois casos, trata-se de criar um espaço em que o paciente borderline possa experimentar uma relação suficientemente estável para revisar seus modelos internos de vínculo (CLARKIN; YEOMANS; KERNBERG, 2006; BATEMAN; FONAGY, 2004).</p>



<h3 class="wp-block-heading">Eficácia das Terapias Psicanalíticas Estruturadas</h3>



<p>Estudos controlados indicam que tanto TFP quanto MBT têm eficácia significativa no tratamento do TPB. Pacientes submetidos a esses modelos mostram redução em tentativas de suicídio, internações, impulsividade e sintomas depressivos, além de melhorias em funcionamento social e ocupacional (CLARKIN et al., 2007; BATEMAN; FONAGY, 2008).</p>



<p>Do ponto de vista clínico, observa-se que, com o tempo, pacientes antes presos em ciclos repetitivos de autolesão e rompimentos abruptos passam a construir narrativas mais coesas sobre si mesmos, a reconhecer emoções complexas e a estabelecer vínculos mais duradouros e menos caóticos.</p>



<hr class="wp-block-separator has-alpha-channel-opacity"/>



<h2 class="wp-block-heading">Um Outro Modelo de Tratamento: Bom Gerenciamento Psiquiátrico (GPM)</h2>



<p>O Bom Gerenciamento Psiquiátrico (Good Psychiatric Management – GPM), proposto por John Gunderson, é um modelo de manejo clínico pragmático para o TPB. Ele foi desenvolvido como uma alternativa mais acessível e fácil de ser implementada em serviços de saúde mental gerais, sem exigir formação intensiva em um modelo psicoterapêutico específico (GUNDERSON, 2014).</p>



<p>O GPM enfatiza psicoeducação, validação emocional, foco em objetivos de vida, manejo de crises e coordenação do cuidado, podendo ser combinado com outras abordagens psicoterapêuticas mais profundas. Não se propõe a reestruturar toda a personalidade, mas a oferecer estabilidade e direção para o paciente, reduzindo comportamentos de risco e ajudando a manter o engajamento em tratamento (GUNDERSON, 2014).</p>



<hr class="wp-block-separator has-alpha-channel-opacity"/>



<h2 class="wp-block-heading">Como a Terapia Atua no Transtorno de Personalidade Borderline</h2>



<h3 class="wp-block-heading">Alterações Epigenéticas Induzidas pela Terapia</h3>



<p>A ideia de que a terapia pode “mudar o cérebro” deixou de ser metáfora. Pesquisas em epigenética sugerem que ambientes relacionais estáveis, como uma psicoterapia consistente, podem modular a expressão de genes envolvidos na resposta ao estresse e na regulação emocional (MEANEY; SZYF, 2005). Em termos clínicos, isso significa que experiências de cuidado, continuidade e elaboração simbólica podem, com o tempo, atenuar os efeitos de traumas precoces.</p>



<p>Quando o paciente borderline encontra, no setting terapêutico, um ambiente de “holding” – nos termos de Winnicott – e de “contenção” – nos termos de Bion –, abre-se a possibilidade de reescrever algumas dessas marcas epigenéticas por meio de novas experiências emocionais.</p>



<h3 class="wp-block-heading">Plasticidade Neuronal e Reorganização Psíquica</h3>



<p>A neurociência também nos mostra que o cérebro mantém capacidade de plasticidade ao longo da vida. Relações e experiências emocionalmente significativas – como as que ocorrem na terapia – podem fortalecer circuitos relacionados à reflexão, à regulação emocional e ao controle de impulsos (MINZENBERG et al., 2008).</p>



<p>Na clínica, isso se traduz em: menor impulsividade, maior tolerância à frustração, capacidade mais desenvolvida de mentalizar e de integrar aspectos antes dissociados do self. O paciente passa a ter mais recursos internos para lidar com a angústia sem recorrer, obrigatoriamente, à autolesão ou à ruptura de vínculos (FONAGY et al., 2000; BATEMAN; FONAGY, 2008).</p>



<hr class="wp-block-separator has-alpha-channel-opacity"/>



<h2 class="wp-block-heading">Grupos de Apoio para Familiares e Pacientes</h2>



<h3 class="wp-block-heading">A Importância do Suporte Familiar</h3>



<p>O sofrimento relacionado ao TPB não se restringe à pessoa diagnosticada. Familiares frequentemente se sentem sobrecarregados, confusos e culpados. Quando recebem informação clara e apoio, podem se tornar aliados fundamentais do tratamento, ajudando a construir um ambiente mais previsível e menos reativo (ZANARINI et al., 2003; GUNDERSON, 2014).</p>



<h3 class="wp-block-heading">Recursos e Organizações de Apoio</h3>



<p>Grupos de apoio para familiares e pacientes oferecem um espaço de escuta e partilha, no qual é possível trocar experiências e aprender estratégias mais funcionais de convivência. Alguns desses grupos, inspirados em modelos psicodinâmicos, convidam à reflexão sobre vínculos, fantasias inconscientes e modos de lidar com a angústia – tanto do paciente quanto de quem convive com ele (FONAGY et al., 2000).</p>



<h3 class="wp-block-heading">Benefícios da Participação em Grupos</h3>



<p>Participar de grupos pode reduzir o sentimento de solidão, favorecer a empatia e criar uma rede de suporte. Para pacientes, os grupos ampliam a capacidade de simbolizar experiências emocionais e de reconhecer o outro como um sujeito também marcado por limites e fragilidades. Em termos psicanalíticos, o grupo pode funcionar como uma “matriz continente”, ajudando a metabolizar emoções caóticas e a construir novas formas de estar no mundo (BATEMAN; FONAGY, 2004).</p>



<hr class="wp-block-separator has-alpha-channel-opacity"/>



<h2 class="wp-block-heading">Conclusão</h2>



<p>O Transtorno de Personalidade Borderline é uma condição complexa, enraizada em vulnerabilidades biológicas, experiências traumáticas precoces e padrões relacionais marcados por instabilidade e angústia intensa. No entanto, longe de ser um “destino selado”, o TPB responde a tratamentos bem estruturados, especialmente quando há uma combinação de conhecimento técnico, continuidade do cuidado e um olhar verdadeiramente interessado pela subjetividade do paciente.</p>



<p>Abordagens psicanalíticas como a TFP e a MBT, o modelo de Bom Gerenciamento Psiquiátrico e o investimento em redes de apoio e psicoeducação mostram que é possível promover não apenas alívio sintomático, mas transformações profundas na organização psíquica, nos vínculos e no sentido de si mesmo (CLARKIN; YEOMANS; KERNBERG, 2006; BATEMAN; FONAGY, 2008; GUNDERSON, 2014).</p>



<p>Cuidar de alguém com TPB – ou cuidar de si mesmo carregando esse diagnóstico – é um exercício de paciência, ética e compromisso com a possibilidade de mudança. Com um manejo adequado e um espaço de escuta que acolha a dor sem reforçar o estigma, a psicanálise e as psicoterapias afins podem oferecer algo essencial: um lugar em que seja possível existir com menos angústia e mais continuidade, inteireza e esperança.</p>



<h3 class="wp-block-heading"><strong>Referências</strong></h3>



<h3 class="wp-block-heading"><strong>Manuais e Revisões Gerais</strong></h3>



<p>AMERICAN PSYCHIATRIC ASSOCIATION. <em>Manual diagnóstico e estatístico de transtornos mentais – DSM-5</em>. 5. ed. Porto Alegre: Artmed, 2014.</p>



<p>LIEB, K. et al. Transtorno de personalidade borderline. <em>The Lancet</em>, v. 364, p. 453-461, 2004.&nbsp;</p>



<p>ZANARINI, M. C. et al. Curso longitudinal da psicopatologia borderline: acompanhamento prospectivo de 6 anos. <em>American Journal of Psychiatry</em>, v. 160, p. 274-283, 2003.</p>



<hr class="wp-block-separator has-alpha-channel-opacity"/>



<h3 class="wp-block-heading">Genética, Neurobiologia e Epigenética</h3>



<p>MEANEY, M. J.; SZYF, M. Programação ambiental das respostas ao estresse através da metilação do DNA: a vida na interface entre um ambiente dinâmico e um genoma fixo. <em>Dialogues in Clinical Neuroscience</em>, v. 7, n. 2, p. 103-123, 2005.</p>



<p>MINZENBERG, M. J. et al. Disfunção frontolímbica em resposta à emoção facial no transtorno de personalidade borderline: um estudo de ressonância magnética funcional relacionada a eventos. <em>Psychiatry Research: Neuroimaging</em>, v. 163, n. 3, p. 217-231, 2008.</p>



<p>SCHMAHL, C. et al. Imagem por ressonância magnética do hipocampo e da amígdala em mulheres com abuso infantil e transtorno de personalidade borderline. <em>Psychiatry Research: Neuroimaging</em>, v. 122, p. 193-198, 2003.</p>



<p>TORGERSEN, S. et al. Estudo com gêmeos sobre transtornos de personalidade. <em>Comprehensive Psychiatry</em>, v. 41, p. 416-425, 2000.</p>



<hr class="wp-block-separator has-alpha-channel-opacity"/>



<h3 class="wp-block-heading">Trauma, Apego e Mentalização</h3>



<p>FONAGY, P. et al. <em>Regulação afetiva, mentalização e o desenvolvimento do self</em>. Porto Alegre: Artmed, 2012.</p>



<hr class="wp-block-separator has-alpha-channel-opacity"/>



<h3 class="wp-block-heading">Tratamentos Psicanalíticos Estruturados (TFP e MBT)</h3>



<p>BATEMAN, A.; FONAGY, P. <em>Transtorno de personalidade borderline: tratamento baseado na mentalização</em>. Porto Alegre: Artmed, 2016.&nbsp;</p>



<p>BATEMAN, A.; FONAGY, P. Seguimento de 8 anos de pacientes tratados com terapia baseada na mentalização. <em>American Journal of Psychiatry</em>, v. 165, p. 631-638, 2008.</p>



<p>CLARKIN, J. F.; YEOMANS, F. E.; KERNBERG, O. F. <em>Psicoterapia para o transtorno de personalidade borderline: enfoque nas relações de objeto</em>. Porto Alegre: Artmed, 2015.&nbsp;</p>



<p>CLARKIN, J. F. et al. Avaliação de três tratamentos para transtorno de personalidade borderline: estudo multiwave. <em>American Journal of Psychiatry</em>, v. 164, p. 922-928, 2007.</p>



<hr class="wp-block-separator has-alpha-channel-opacity"/>



<h3 class="wp-block-heading">Bom Gerenciamento Psiquiátrico (GPM)</h3>



<p>GUNDERSON, J. G. <em>Transtorno de personalidade borderline: um guia clínico</em>. Porto Alegre: Artmed, 2014.&nbsp;</p>
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			</item>
		<item>
		<title>Como manejar crises no Transtorno de Personalidade Borderline: o que os familiares precisam saber.</title>
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		<dc:creator><![CDATA[contato@psicologalauraguerra.com.br]]></dc:creator>
		<pubDate>Sat, 24 May 2025 23:17:33 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Introdução Crises fazem parte da experiência emocional de muitas pessoas com Transtorno de Personalidade Borderline (TPB). Elas surgem de forma intensa, por vezes inesperada, e costumam mobilizar toda a família. Lidar com esse momento pode ser assustador, angustiante e até paralisante, principalmente quando se tem pouco conhecimento sobre o que está acontecendo e o que [&#8230;]]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p></p>



<h3 class="wp-block-heading"><strong>Introdução</strong></h3>



<h4 class="wp-block-heading">Crises fazem parte da experiência emocional de muitas pessoas com Transtorno de Personalidade Borderline (TPB). Elas surgem de forma intensa, por vezes inesperada, e costumam mobilizar toda a família. Lidar com esse momento pode ser assustador, angustiante e até paralisante, principalmente quando se tem pouco conhecimento sobre o que está acontecendo e o que pode ser feito com segurança e respeito.</h4>



<p>Antes de tudo, é importante dizer com toda clareza:<br><strong>Se a crise for intensa, envolver risco de suicídio, agressividade física ou desorganização grave do pensamento e do comportamento, a conduta mais adequada é procurar um serviço de emergência psiquiátrica.</strong><strong><br></strong><strong>Nestes casos, não é papel da família conter sozinha a situação. Preservar a vida e a integridade física e psíquica da pessoa — e de todos ao redor — é prioridade absoluta.</strong></p>



<p>As orientações que apresento aqui <strong>não substituem o acompanhamento profissional individualizado</strong>. Cada situação é única, e nem todas as estratégias funcionam para todas as famílias ou para todas as fases da crise. <strong>Busque apoio técnico qualificado sempre que necessário.</strong></p>



<p>Dito isso, meu objetivo neste artigo é compartilhar, com base em anos de prática clínica e nos referenciais do<strong> Manejo Clínico Generalista para o Transtorno de Personalidade Borderline (GPM &#8211; Harvard Medical School)</strong> e do <strong>Grupo de Apoio a Familiares do Hospital McLean</strong>, algumas orientações que podem ajudar a compreender o que está por trás de muitos episódios de crise — e, sobretudo, <strong>como a família pode agir com mais segurança, clareza e serenidade nesses momentos</strong>.</p>



<p>Muitos familiares me dizem: <em>&#8220;Sinto que estou pisando em ovos o tempo todo.”</em></p>



<p><em><br></em>Esse sentimento não é raro — e não é exagero. O convívio com alguém que sofre com o TPB frequentemente se torna tenso, imprevisível e doloroso, principalmente quando a família se vê sozinha diante de episódios de desregulação emocional intensa, rompantes agressivos, ameaças de suicídio ou comportamentos autodestrutivos.</p>



<p>Porém, <strong>com conhecimento e apoio, é possível sair do lugar de exaustão e reatividade, e entrar num modo mais reflexivo e cuidadoso de lidar com essas situações</strong>. Isso não significa se tornar terapeuta da pessoa com TPB, nem carregar responsabilidades que não são suas. Mas sim aprender <strong>a responder — e não apenas a reagir — aos movimentos da crise</strong>.</p>



<p>Ao longo do artigo, vamos conversar sobre:</p>



<ul class="wp-block-list">
<li>o que caracteriza uma crise no TPB;<br></li>



<li>como compreender os padrões emocionais envolvidos;<br></li>



<li>quais estratégias familiares têm se mostrado mais efetivas para o manejo imediato e preventivo das crises;<br></li>



<li>e qual é o papel do grupo de apoio nesse processo de cuidado ampliado.</li>
</ul>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>O que é considerado uma crise no contexto do TPB</strong></h2>



<p>No cotidiano de quem convive com o Transtorno de Personalidade Borderline, o termo “crise” é usado com frequência — mas o que realmente caracteriza uma crise dentro dessa estrutura psíquica?</p>



<p>De forma geral, podemos entender a crise como um momento em que a pessoa perde a capacidade habitual de regulação emocional e passa a agir, sentir e se relacionar de forma desorganizada, intensa e, muitas vezes, perigosa para si mesma ou para os outros. É uma experiência em que há um colapso momentâneo da capacidade de pensar antes de agir, de confiar no vínculo com o outro ou de sustentar uma visão coerente de si mesma e do mundo.</p>



<p>Em uma crise, a dor psíquica da pessoa com TPB <strong>não consegue ser nomeada, simbolizada ou contida</strong>, e acaba sendo expressa através de comportamentos abruptos — como explosões de raiva, ameaças de suicídio, automutilação, fuga de casa, uso abusivo de substâncias, rompimentos impulsivos ou acessos de choro e desespero que parecem &#8220;sem motivo&#8221; para quem está de fora.</p>



<p>Essas manifestações são mais do que “dramas” ou “birras”. Elas são <strong>modos primitivos de comunicação emocional</strong>, que emergem quando o sofrimento interno é grande demais para ser verbalizado ou mentalizado.</p>



<p>Como afirma John Gunderson, psiquiatra e criador do modelo GPM:</p>



<p><em>“As crises borderline ocorrem quando a dor psíquica se torna insuportável e a pessoa se sente sozinha, sem alternativas ou esperança. A crise é um grito por conexão, mas que geralmente é expressado de forma que afasta ainda mais o outro.”</em><em><br></em> (Gunderson, 2014, p. 23)</p>



<p>Do ponto de vista clínico, os comportamentos mais comuns em situações de crise borderline incluem:</p>



<ul class="wp-block-list">
<li><strong>Ameaças ou tentativas de suicídio</strong><strong><br></strong></li>



<li><strong>Automutilações (cortes, arranhões, queima com cigarro, entre outros)</strong><strong><br></strong></li>



<li><strong>Rompimentos impulsivos de vínculos afetivos ou profissionais</strong><strong><br></strong></li>



<li><strong>Comportamentos autodestrutivos como uso excessivo de álcool, drogas, direção em alta velocidade ou sexo sem proteção</strong><strong><br></strong></li>



<li><strong>Explosões de raiva, gritos, ofensas, objetos quebrados</strong><strong><br></strong></li>



<li><strong>Ataques de pânico ou estados de ansiedade paralisante</strong><strong><br></strong></li>



<li><strong>Sumiços repentinos ou isolamento completo</strong><strong><br></strong></li>
</ul>



<p>É importante saber que <strong>nem toda crise se manifesta de forma “visível”</strong>. Algumas pessoas com TPB entram em estados de retraimento profundo, culpabilização, silêncio extremo ou apatia. Nesses casos, o sofrimento pode estar igualmente intenso, embora se expresse de forma mais “quieta”.</p>



<p>Por isso, o mais importante para os familiares não é classificar o que é ou não é “grave o suficiente”, mas sim <strong>reconhecer o padrão emocional que se repete</strong> e perceber quando há sinais de desorganização, impulsividade, risco ou colapso relacional.</p>



<p>Outro ponto essencial: <strong>as crises borderline costumam ter um gatilho, mesmo que pareça “nada demais” para quem está de fora.</strong> Um comentário banal, uma ausência momentânea, uma frustração pequena podem ser interpretadas como abandono, rejeição ou traição — e isso pode disparar uma sequência de reações desproporcionais ao fato que as desencadeou.</p>



<p>Essa hipersensibilidade relacional não é teatral ou voluntária. Ela faz parte da estrutura do transtorno. E, por isso mesmo, <strong>a maneira como a família lida com esses momentos pode tanto ajudar a conter, quanto acirrar a crise</strong>.</p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>Manejo clínico segundo o modelo GPM</strong></h2>



<p>O modelo <strong>Good Psychiatric Management (GPM)</strong>, desenvolvido por John Gunderson e Cynthia Berkowitz, foi criado com o objetivo de oferecer uma abordagem estruturada, pragmática e acessível para o tratamento do Transtorno de Personalidade Borderline — tanto para profissionais quanto para familiares.</p>



<p>O GPM parte do princípio de que, apesar das dificuldades significativas na regulação emocional, as pessoas com TPB podem se beneficiar de <strong>intervenções simples, coerentes e sustentáveis</strong>, desde que baseadas em vínculo, psicoeducação e manejo estruturado da crise.</p>



<p>Uma das ideias mais centrais do modelo é que <strong>a crise deve ser compreendida, mas não reforçada</strong>. Isso significa que, ao lidar com um episódio agudo, o foco não deve estar em “controlar” ou “acalmar” a pessoa a qualquer custo, mas sim em ajudá-la a retomar o eixo da realidade, reconhecer os gatilhos, identificar opções e agir de forma mais funcional.</p>



<p>Gunderson reforça:</p>



<p><em>“O objetivo não é suprimir a crise, mas dar à pessoa os recursos para atravessá-la com o menor prejuízo possível, reconhecendo que a instabilidade emocional faz parte da condição, mas não precisa governar sua vida.”</em><em><br></em> (Gunderson, 2014, p. 112)</p>



<h3 class="wp-block-heading"><strong>Princípios do manejo no GPM que também se aplicam à família:</strong></h3>



<ol class="wp-block-list">
<li><strong>Validar a dor, não o comportamento disfuncional<br></strong>É importante reconhecer que a pessoa está sofrendo (“Eu vejo que está difícil para você”) sem necessariamente concordar com a forma como ela está lidando com esse sofrimento.<br></li>



<li><strong>Ser firme e estável, mesmo diante da instabilidade do outro<br></strong>Quando o familiar se desespera junto com a pessoa em crise, isso tende a intensificar a desorganização emocional. Manter um tom de voz firme, postura clara e atitudes coerentes é essencial.<br></li>



<li><strong>Não prometer o que não pode cumprir<br></strong>Em momentos de crise, é comum que a pessoa com TPB exija garantias: “Você vai ficar comigo pra sempre?”, “Promete que nunca vai me deixar?”, “Se você me amar de verdade, faz isso por mim&#8230;”<br>O GPM orienta a não reforçar esse tipo de pensamento de tudo-ou-nada. Ao invés de prometer ou rejeitar, pode-se dizer:<br><em>“Eu me importo com você, e quero continuar por perto, mas precisamos encontrar uma forma melhor de lidar com isso.”<br></em></li>



<li><strong>Reforçar a funcionalidade em vez da dependência<br></strong>Sempre que possível, valorize atitudes da pessoa que demonstram capacidade de enfrentamento. Pequenos progressos devem ser reconhecidos, mas sem criar a ilusão de “cura”. Isso ajuda a pessoa a perceber que pode, sim, lidar com os próprios sentimentos — ainda que com dificuldade.<br></li>



<li><strong>Focar no aqui e agora<br></strong>O GPM não se perde em interpretações do passado durante a crise. O foco é o momento presente: “O que está acontecendo agora?”, “Como podemos atravessar isso sem se machucar?”, “O que pode te ajudar neste instante?”.<br></li>



<li><strong>Evitar reforçar crises como via de acesso ao vínculo<br></strong>Um cuidado importante é não reforçar — ainda que sem querer — a ideia de que “só na crise eu sou visto(a)”. Por isso, o ideal é que o suporte esteja presente também fora dos momentos críticos. Isso ajuda a construir uma referência mais sólida de vínculo.<br></li>
</ol>



<p>O manejo da crise, segundo o GPM, se baseia em três pilares:</p>



<ul class="wp-block-list">
<li>Clareza e coerência nas atitudes;<br></li>



<li>Presença emocional sem sobrecarga;<br></li>



<li>Estímulo à autonomia gradual e funcional.<br></li>
</ul>



<p>Ao invés de respostas dramáticas ou tentativas de resolver tudo, o GPM propõe um estilo de cuidado mais <strong>realista, afetivo e estável</strong>, em que o familiar sustenta a presença — mas não se dissolve nela.</p>



<p>Essa abordagem não elimina as crises. Mas diminui sua intensidade, sua duração e, com o tempo, <strong>ajuda a construir novas formas de enfrentamento, tanto para quem sofre quanto para quem cuida.</strong></p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>O lugar da família nas crises e estratégias de manejo possível</strong></h2>



<p>Quando uma crise acontece no contexto do Transtorno de Personalidade Borderline (TPB), é comum que os familiares se sintam perdidos, entre o impulso de ajudar a qualquer custo e a vontade de se afastar para se proteger. O que muitos não sabem — e poucos profissionais dizem com clareza — é que a <strong>forma como a família reage</strong> pode influenciar diretamente a intensidade, a duração e até a recorrência das crises.</p>



<p>Isso não significa que a família seja responsável por elas, mas sim que <strong>os vínculos familiares são parte ativa da experiência emocional</strong> da pessoa com TPB. As crises, muitas vezes, se organizam em torno desses laços — e não à margem deles.</p>



<p><em>“O paciente borderline não vive sua dor isoladamente. O ambiente relacional imediato — geralmente a família — participa, sofre e muitas vezes se confunde com os movimentos de desorganização afetiva.”</em><em><br></em> — John G. Gunderson, <em>Handbook of Good Psychiatric Management</em>, 2014.</p>



<h3 class="wp-block-heading"><strong>Por que o envolvimento da família importa?</strong></h3>



<p>A experiência clínica mostra que, quando os familiares estão informados e orientados, o paciente tende a desenvolver estratégias mais funcionais de enfrentamento. Já quando o ambiente familiar é reativo, ambíguo ou sobrecarregado de culpa, as crises se tornam mais frequentes e desorganizadas.</p>



<p>O programa de apoio do Hospital McLean deixa isso claro:</p>



<p><em>“Famílias que aprendem a reconhecer padrões disfuncionais de interação e passam a responder com mais estabilidade e consistência emocional contribuem significativamente para a melhora do paciente — e para sua própria saúde mental.”</em><em><br></em> — <em>Family Guidelines</em>, McLean Hospital, 2005.</p>



<p>O manejo da crise, portanto, começa <strong>antes mesmo da crise acontecer</strong>, com a construção de uma presença familiar que seja menos reativa, mais previsível e capaz de oferecer um mínimo de continência emocional.</p>



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<h3 class="wp-block-heading"><strong>O que a família pode fazer — e o que precisa evitar</strong></h3>



<p>A seguir, apresento orientações práticas que podem ajudar familiares a responder com mais clareza às situações de crise. Não se trata de um roteiro a ser seguido à risca, mas de um <strong>conjunto de referências que podem ser adaptadas à realidade de cada família</strong>.</p>



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<h4 class="wp-block-heading"><strong>1. Reconheça os sinais precursores</strong></h4>



<p>A crise não costuma “explodir” sem aviso. Geralmente há sinais: aumento da sensibilidade, mudanças no padrão de sono, agitação incomum, mensagens ambíguas sobre sofrimento, episódios de irritação ou retraimento abrupto. Observar esses sinais ajuda a intervir com antecedência e a evitar respostas impulsivas.</p>



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<h4 class="wp-block-heading"><strong>2. Diminua a reatividade emocional</strong></h4>



<p>Evite reagir com raiva, sarcasmo ou desespero. Ainda que o conteúdo da crise seja doloroso, ofensivo ou provocador, <strong>responder com intensidade só reforça o ciclo da desorganização</strong>.</p>



<p>Acolher o sofrimento não significa ceder a tudo. Ao contrário: o que a pessoa com TPB precisa em momentos de crise é <strong>uma presença firme, mas emocionalmente regulada</strong>.</p>



<p><em>“Eu percebo que você está sofrendo. Não vou discutir agora, mas continuo aqui. Podemos conversar quando as coisas estiverem mais calmas.”</em></p>



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<h4 class="wp-block-heading"><strong>3. Valide o sentimento, sem reforçar o comportamento</strong></h4>



<p>A validação é uma ferramenta central no manejo familiar. Ela permite reconhecer o sofrimento do outro sem, no entanto, incentivar comportamentos autodestrutivos ou manipulativos.</p>



<p>Evite frases como:<br>✖️ <em>“Você só quer chamar atenção.”<br></em>✖️ <em>“Isso é chantagem.”</em></p>



<p>Substitua por:<br>✔️ <em>“Imagino que esteja se sentindo muito só agora.”<br></em>✔️ <em>“Não sei exatamente o que você está sentindo, mas vejo que está difícil.”</em></p>



<p>A validação não apaga o problema, mas cria uma base de escuta a partir da qual outras atitudes poderão ser pensadas.</p>



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<h4 class="wp-block-heading"><strong>4. Estabeleça limites claros, com calma e coerência</strong></h4>



<p>Muitos familiares, por medo de acionar uma crise, acabam abrindo mão dos próprios limites. O problema é que isso fragiliza ainda mais o vínculo e aumenta a sensação de descontrole.</p>



<p>Limites firmes, comunicados com respeito, ajudam a <strong>organizar a relação e a oferecer um contorno emocional</strong> que a própria pessoa com TPB não consegue sustentar sozinha.</p>



<p>Exemplo:<br><em>“Eu entendo sua dor, mas não posso aceitar que você grite ou me agrida verbalmente.”</em></p>



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<h4 class="wp-block-heading"><strong>5. Tenha um plano de ação para emergências</strong></h4>



<p>Prepare-se, com antecedência, para os momentos mais críticos. Isso evita decisões impulsivas ou atitudes movidas apenas pelo medo.</p>



<p><strong>Um plano básico pode incluir:</strong></p>



<ul class="wp-block-list">
<li>Números de emergência (SAMU, CAPS, psiquiatra de referência);<br></li>



<li>Uma pessoa de confiança que possa ser acionada;<br></li>



<li>Um local seguro e silencioso para contenção, se necessário;<br></li>



<li>Frases ou gestos que costumam acalmar a pessoa;<br></li>



<li>Decisões claras sobre o que será feito em caso de risco grave.<br></li>
</ul>



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<h4 class="wp-block-heading"><strong>6. Não use a crise como momento de decisão</strong></h4>



<p>Evite discutir relacionamentos, limites ou decisões importantes durante uma crise. A pessoa está vulnerável, desorganizada e com o pensamento comprometido. Priorize <strong>a segurança emocional e física no momento presente</strong>.</p>



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<h4 class="wp-block-heading"><strong>7. Cuide de si para sustentar o cuidado</strong></h4>



<p>Cuidar de alguém em crise frequente é exaustivo. Por isso, é indispensável que o familiar também tenha espaço para elaborar seus sentimentos, reconhecer seus limites e se fortalecer. Psicoterapia, redes de apoio e pausas legítimas não são luxo: são estratégias de sobrevivência emocional.</p>



<p><em>“O paciente precisa de uma família que se cuide — não de mártires exaustos.”</em><em><br></em> — Cynthia Berkowitz, <em>McLean Family Manual</em></p>



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<p>A crise no TPB não é apenas um momento de explosão emocional. Ela é um ponto de ruptura que, se repetido sem elaboração, corrói os vínculos e desorganiza todo o campo relacional. Mas, se acolhida com escuta, sustentação e limite, ela também pode se tornar <strong>um espaço de construção de novas formas de estar junto</strong> — com mais clareza, respeito e presença possível.</p>



<p>A família não precisa — e não deve — atravessar isso sozinha. Mas também não está condenada à impotência. Informada e apoiada, ela pode ocupar um lugar fundamental no processo de cuidado, sem se anular e sem adoecer junto.</p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>Apoio mútuo e práticas de autocuidado</strong></h2>



<p>Quando uma pessoa da família é diagnosticada com Transtorno de Personalidade Borderline (TPB), é comum que todos ao redor entrem, de algum modo, em uma espécie de modo de sobrevivência. Os dias passam a girar em torno de “evitar crises”, “controlar danos”, “prever explosões” — e, aos poucos, a vida emocional dos outros membros da família vai sendo colocada em segundo plano, como se o único foco possível fosse o paciente.</p>



<p>Esse padrão de funcionamento, embora compreensível, é <strong>inviável a longo prazo</strong>. Nenhum vínculo se sustenta no sacrifício contínuo de um lado só. O cuidado exige presença, mas também exige que quem cuida esteja minimamente bem. Por isso, uma das dimensões mais importantes do manejo familiar no TPB é a <strong>construção de um espaço de cuidado para os próprios familiares</strong> — não como um luxo, mas como uma condição ética e psíquica para sustentar o vínculo.</p>



<p><em>“Não é raro que os familiares de pacientes borderline desenvolvam sintomas ansiosos, depressivos ou de esgotamento emocional. O sofrimento não se restringe ao paciente. Por isso, o apoio familiar precisa incluir quem cuida.”</em><em><br></em> — Gunderson &amp; Berkowitz, <em>Family Guidelines</em>, McLean Hospital, 2005.</p>



<h3 class="wp-block-heading"><strong>Por que o apoio mútuo importa?</strong></h3>



<p>Muitos familiares relatam que se sentem sozinhos, envergonhados por não saber o que fazer, ou culpados por estarem irritados, cansados ou até com raiva da pessoa que está em sofrimento. Essas emoções, embora difíceis de admitir, são legítimas. E o espaço para poder compartilhá-las <strong>sem julgamento</strong> é uma das chaves para interromper ciclos de silêncio, ressentimento e afastamento afetivo.</p>



<p><strong>Grupos de apoio entre familiares são recursos fundamentais nesse sentido. Eles oferecem:</strong></p>



<ul class="wp-block-list">
<li>Informações confiáveis sobre o transtorno;<br></li>



<li>Contato com outras famílias que vivem desafios semelhantes;<br></li>



<li>Redução do sentimento de isolamento e vergonha;<br></li>



<li>Reflexões sobre os próprios padrões relacionais;<br></li>



<li>Apoio emocional e acolhimento em momentos críticos.<br></li>
</ul>



<p><em>“Os grupos multifamiliares não são apenas educativos. Eles criam um ambiente relacional que ajuda os familiares a se fortalecerem mutuamente, reconhecerem seus próprios limites e se libertarem da culpa crônica que muitas vezes carregam.”</em><em><br></em> — Cynthia Berkowitz, <em>Group Treatment for Families</em>, McLean Hospital</p>



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<h3 class="wp-block-heading"><strong>O que é autocuidado no contexto de uma família afetada pelo TPB?</strong></h3>



<p>Autocuidado é, antes de tudo, <strong>olhar para si e reconhecer que você também está implicado na relação e precisa de um espaço para elaboração</strong>. É dar-se o direito de sentir, de falhar, de pedir ajuda, de dizer “não”, de fazer pausas — sem culpa.</p>



<p><strong>Algumas práticas concretas incluem:</strong></p>



<ul class="wp-block-list">
<li>Participar de terapia individual, se possível;<br></li>



<li>Estabelecer limites de tempo e energia dedicados ao cuidado;<br></li>



<li>Criar momentos pessoais de descanso, lazer e silêncio;<br></li>



<li>Manter vínculos com pessoas que não estão envolvidas na situação familiar;<br></li>



<li>Ter um plano de apoio para quando você mesmo estiver emocionalmente sobrecarregado.<br></li>
</ul>



<p><strong>Cuidar de si não enfraquece o vínculo. Pelo contrário: fortalece a presença.</strong><strong><br></strong> Quanto mais o familiar estiver emocionalmente abastecido, mais poderá responder com clareza e continuidade nos momentos em que for necessário sustentar a crise — sem adoecer junto com ela.</p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>Conclusão</strong></h2>



<p>As crises no Transtorno de Personalidade Borderline não são episódios isolados — são expressões de uma dor psíquica que, muitas vezes, não encontra palavras. Para quem vive com esse transtorno, os momentos de desorganização emocional podem parecer a única forma possível de pedir ajuda, de ser visto ou de tentar conter uma sensação interna de vazio, rejeição ou abandono.</p>



<p>Para os familiares, esses momentos são vividos com medo, angústia, impotência ou frustração. E tudo isso é legítimo. Não existe manual pronto, nem resposta perfeita. Cada família, cada pessoa, cada vínculo terá um ritmo próprio de aprendizado e reconstrução.</p>



<p>O que a prática clínica nos mostra — e os estudos do modelo GPM e do Grupo Multifamiliar do Hospital McLean reforçam — é que <strong>as crises não precisam governar a vida emocional de quem tem TPB nem das pessoas que estão ao redor</strong>. Com informação, presença afetiva e limites claros, é possível atravessar esses episódios de forma mais cuidadosa, sem reforçar os padrões que alimentam o sofrimento.</p>



<p><em>“A família não é o problema. Mas, quando bem orientada, pode se tornar uma parte essencial da solução.”</em><em><br></em> — John G. Gunderson, <em>GPM Handbook</em>, 2014</p>



<p>Buscar apoio profissional é fundamental. A família pode oferecer continência, mas não substitui a psicoterapia, o acompanhamento médico ou a rede de cuidados. E, para que esse apoio familiar seja realmente possível, ele precisa vir de um lugar que também se cuida — com pausas, escuta, redes de apoio e acolhimento dos próprios limites.</p>



<p>Se você é familiar de alguém com TPB, saiba: <strong>você também importa.</strong> Sua saúde mental, sua capacidade de sustentar vínculos e seu direito de existir com dignidade dentro dessa dinâmica relacional são fundamentais para que qualquer cuidado seja possível.</p>



<p>Cuidar de quem cuida é parte do tratamento.<br>E nenhum cuidado é sustentável sem vínculo, sem escuta e sem a construção mútua de um espaço de respeitosa transformação.</p>



<hr class="wp-block-separator has-alpha-channel-opacity"/>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>📚 Referências</strong></h2>



<ul class="wp-block-list">
<li>GUNDERSON, J. G.; BERKOWITZ, C. <em>Handbook of Good Psychiatric Management for Borderline Personality Disorder</em>. Arlington: American Psychiatric Publishing, 2014.<br></li>



<li>GUNDERSON, J. G.; BERKOWITZ, C. <em>Family Guidelines: Borderline Personality Disorder</em>. Belmont: McLean Hospital, 2005. Disponível em: https://www.borderlinepersonalitydisorder.org/wp-content/uploads/2011/08/Family-Guidelines-standard.pdf. Acesso em: 20 junho 2024.</li>
</ul>
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			</item>
		<item>
		<title>Psicoterapia de baixo custo emocional, isso existe?</title>
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		<pubDate>Sun, 24 Mar 2024 16:32:53 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Psicoterapias]]></category>
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					<description><![CDATA[A ideia de uma &#8220;Psicoterapia de Baixo Custo Emocional&#8221; é um conceito que, embora possa parecer atraente à primeira vista, revela uma compreensão superficial do processo terapêutico e de suas exigências intrínsecas. A psicoterapia, em sua essência, é um investimento profundo no próprio eu, exigindo não apenas um compromisso temporal e financeiro, mas, acima de [&#8230;]]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<h4 class="wp-block-heading" id="viewer-p899f94313">A ideia de uma &#8220;Psicoterapia de Baixo Custo Emocional&#8221; é um conceito que, embora possa parecer atraente à primeira vista, revela uma compreensão superficial do processo terapêutico e de suas exigências intrínsecas.</h4>



<p id="viewer-p899f94313"> A psicoterapia, em sua essência, é um investimento profundo no próprio eu, exigindo não apenas um compromisso temporal e financeiro, mas, acima de tudo, um compromisso emocional e cognitivo significativo por parte do paciente.</p>



<h3 class="wp-block-heading" id="viewer-wvmyc94008">A Implicação Afetiva como Fundamento da Psicoterapia</h3>



<p id="viewer-ediv194010">Ao adentrarmos o território da psicoterapia, nos engajamos em um processo de introspecção e reflexão que desafia nossas percepções, crenças e memórias mais arraigadas. Esse mergulho nas profundezas do nosso EU é indispensável para a eficácia terapêutica, pois é através da revisitação e reinterpretação de nossas experiências e emoções que podemos reconhecê-las e ressignificá-las para alcançarmos bem estar emocional e relacional.</p>



<h3 class="wp-block-heading" id="viewer-f6yob94012">O Investimento Cognitivo e Emocional</h3>



<p id="viewer-83gj694014">O processo terapêutico exige do paciente uma abertura para explorar áreas de desconforto, dor e vulnerabilidade. Este percurso não é linear e envolve enfrentar verdades inconvenientes sobre si mesmo e sobre as relações que construímos. Tal investimento cognitivo e emocional visa não apenas aliviar sintomas, mas promover uma transformação pessoal e profunda.</p>



<h3 class="wp-block-heading" id="viewer-zszo694016">Tolerância aos Incômodos: Uma Virtude Necessária</h3>



<p id="viewer-vgvog94018">A capacidade de tolerar os incômodos e o sofrimento emocional que emergem durante a terapia é crucial. As descobertas feitas neste processo podem ser, ao mesmo tempo, libertadoras e intensamente perturbadoras. O enfrentamento desses sentimentos, longe de ser um efeito colateral indesejado, é um componente essencial do trabalho terapêutico, pois é através desse enfrentamento que o crescimento e o alívio se tornam possíveis.</p>



<h3 class="wp-block-heading" id="viewer-mhnnq94020">O Desafio da Persistência</h3>



<p id="viewer-p2jj694022">A tentativa de abandonar a terapia diante do desconforto é uma realidade com a qual muitos se deparam. Contudo, é justamente nesses momentos de maior desafio que a terapia oferece sua maior promessa de transformação. Persistir através da dor e do desconforto requer coragem e um comprometimento inabalável com o processo de <strong>recuperação emocional</strong>. A decisão de continuar, apesar das dificuldades, é um testemunho do desejo humano de crescimento e mudança positiva.</p>



<h3 class="wp-block-heading" id="viewer-uwrk094024">Conclusão</h3>



<p id="viewer-g50hs94026">Portanto, a noção de uma &#8220;Psicoterapia de Baixo Custo Emocional&#8221; é um mito. Uma verdadeira transformação exige um investimento emocional substancial, um compromisso com a autodescoberta e uma disposição para enfrentar e integrar aspectos desconfortáveis ​​do próprio ser. Os benefícios decorrentes desse processo intensivo &#8211; maior autoconhecimento, resiliência emocional e bem-estar psicológico &#8211; são inestimáveis ​​e refletem o valor profundo do investimento afetivo na psicoterapia.</p>



<p>Atualizado:&nbsp;11 de mar.</p>
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		<title>A Psicoterapia Psicanalítica: Uma Abordagem Clínica do Inconsciente</title>
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		<pubDate>Sun, 24 Mar 2024 16:30:30 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Psicoterapias]]></category>
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					<description><![CDATA[Focada na análise do inconsciente e na elucidação de conflitos internos, esta modalidade terapêutica propicia uma compreensão ampliada da estrutura psíquica do indivíduo, conduzindo a alterações substanciais e persistentes no seu estado psicológico e bem-estar. Ainda que a duração do tratamento varie significativamente e possa apresentar desafios, muitos pacientes reconhecem na psicoterapia psicanalítica uma intervenção [&#8230;]]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<h4 class="wp-block-heading" id="viewer-1k3hu70">Focada na análise do inconsciente e na elucidação de conflitos internos, esta modalidade terapêutica propicia uma compreensão ampliada da estrutura psíquica do indivíduo, conduzindo a alterações substanciais e persistentes no seu estado psicológico e bem-estar.</h4>



<p id="viewer-ooc7y1316">Ainda que a duração do tratamento varie significativamente e possa apresentar desafios, muitos pacientes reconhecem na psicoterapia psicanalítica uma intervenção terapêutica relevante para a resolução de suas questões psicológicas.</p>



<p id="viewer-n78ly72">A psicoterapia psicanalítica tem suas raízes nas teorias desenvolvidas por Sigmund Freud no final do século XIX. Freud introduziu o conceito de que processos psíquicos inconscientes influenciam significativamente nossas ações, pensamentos e emoções. Esta abordagem foi posteriormente ampliada por outros teóricos, como Carl Jung, Melanie Klein, Donald Winnicott e Jacques Lacan, cada um contribuindo com perspectivas únicas para a compreensão e tratamento da mente humana.</p>



<p id="viewer-1os5v74">Dentro dessa abordagem, o processo terapêutico envolve o estabelecimento de uma relação de confiança na qual o paciente é encorajado a falar livremente sobre seus pensamentos, sentimentos, sonhos e fantasias. Este processo de &#8220;associação livre&#8221; ajuda a revelar conteúdos inconscientes que estão na origem de conflitos e sofrimentos psíquicos. A análise da transferência — a maneira como as relações passadas do paciente se projetam na relação com o terapeuta — e da resistência — as defesas do paciente contra a mudança — são aspectos centrais deste trabalho.</p>



<p id="viewer-u560d76">Os principais objetivos da psicoterapia psicanalítica incluem a resolução de conflitos internos, a melhoria do funcionamento psíquico e emocional, e o alívio de sintomas psicopatológicos. Visa-se também promover uma maior compreensão de si mesmo, melhorando a autoestima e as relações interpessoais do paciente.</p>



<p id="viewer-r54v778">Esta forma de terapia é indicada para uma ampla gama de condições psicológicas, incluindo, mas não limitado a, transtornos de ansiedade, depressão, transtornos de personalidade, e dificuldades relacionais. Também é procurada por indivíduos interessados em autoconhecimento e desenvolvimento pessoal. Pacientes que se engajam na psicoterapia psicanalítica podem esperar um processo de introspecção e descoberta que, embora possa ser desafiador, é potencialmente transformador. O tratamento não promete soluções rápidas, mas sim mudanças graduais e profundas na percepção de si mesmo e na qualidade de vida.</p>



<p id="viewer-3npvr82">A duração da psicoterapia psicanalítica varia de acordo com as necessidades individuais do paciente e a natureza dos problemas abordados. Algumas terapias podem durar meses, enquanto outras podem se estender por vários anos, dependendo da profundidade dos temas explorados e dos objetivos terapêuticos.<a target="_blank" href="http://xn--teraputicos-rbb.ao/" rel="noreferrer noopener"> Ao</a> focar na exploração do inconsciente e na resolução de conflitos internos, esta modalidade terapêutica promove um entendimento mais profundo de si mesmo, levando a mudanças significativas e duradouras na vida dos pacientes. Apesar de sua duração variável e do desafio que representa, muitos encontram na psicoterapia psicanalítica&nbsp;um caminho possível para a sua recuperação e seu desenvolvimento pessoal.</p>
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		<title>Lições de Spinoza &#8211; O que podemos fazer para termos mais prazer pela vida?</title>
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		<pubDate>Sun, 24 Mar 2024 16:29:17 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Psicoterapias]]></category>
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					<description><![CDATA[Lições de Spinoza sobre o bem viver Havia um homem singular, um filósofo visionário que desafiou as convenções e buscou compreender a natureza da realidade, a existência de Deus e a essência humana. Seu nome era Baruch Spinoza. Nascido em Amsterdã, no século XVII, em uma família judaica sefardita (descendentes de judeus originários de Portugal), [&#8230;]]]></description>
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<h4 class="wp-block-heading" id="viewer-1e6tb"><strong>Lições de Spinoza sobre o bem viver</strong></h4>



<p id="viewer-18qgn">Havia um homem singular, um filósofo visionário que desafiou as convenções e buscou compreender a natureza da realidade, a existência de Deus e a essência humana. Seu nome era Baruch Spinoza. Nascido em Amsterdã, no século XVII, em uma família judaica sefardita (descendentes de judeus originários de Portugal), sua vida foi marcada por desafios e uma profunda busca pela verdade.</p>



<p id="viewer-ach4h">Spinoza viveu em uma época de grandes transformações intelectuais e conflitos religiosos. O século XVII foi marcado pela Revolução Científica, que abalou as estruturas tradicionais do conhecimento, e pelas tensões entre a Igreja e o poder político. Influenciado por figuras como Descartes, Hobbes e Galileu, Spinoza desenvolveu uma filosofia ousada e revolucionária.</p>



<p id="viewer-9fq1f">Sua obra principal, &#8220;Ética&#8221;, publicada postumamente em 1677, é uma exploração profunda e sistemática dos fundamentos da existência. Nesse tratado, Spinoza busca compreender a natureza da realidade e do ser humano a partir de uma perspectiva racional e científica. Ele propõe uma visão monista, em que a realidade é concebida como uma única substância infinita e indivisível, que ele chama de &#8220;Deus ou Natureza&#8221;.</p>



<p id="viewer-hd8q">Para Spinoza, Deus não é um ser transcendental, mas a própria substância que compõe todas as coisas. Ele argumenta que tudo o que existe é uma expressão desse Deus-Natureza, incluindo nós mesmos. Nesse contexto, a natureza humana é entendida como parte integrante desse todo, regida pelas mesmas leis universais e dotada de uma potência para agir. Essa potência de vida é a capacidade que temos de afetar e sermos afetados pelo mundo de maneira ativa e positiva. É a expressão do nosso poder de existir e criar.</p>



<p id="viewer-15mop">Uma maneira de reconhecer a potência de vida em nós é observar nossas próprias experiências e emoções. Prestar atenção aos momentos em que nos sentimos realmente vivos, engajados e realizados, criativos. Pode ser durante uma atividade que nos traga prazer, uma conversa significativa com um amigo querido, ou ao contemplar a beleza da natureza. São esses momentos que nos conectam com nossa potência interna e nos lembram do nosso poder de ação e afeto.</p>



<p id="viewer-e48ll">A noção dos afetos desenvolvida por Spinoza é essencial para entendermos as emoções e as paixões humanas, analisando sua origem, natureza e efeitos. Segundo Spinoza, os afetos são determinados por nossas interações com o mundo ao nosso redor. Somos afetados por coisas externas e, por sua vez, afetamos o mundo com nossas ações. Esses afetos, continua o filósofo, desempenham um papel essencial em nossa existência, influenciando profundamente nossa jornada de vida. Eles são poderosas forças internas que moldam nossa percepção, nossas ações, modos de agir, e nossos relacionamentos, dessa maneira, Spinoza compreende as emoções como respostas afetivas às interações que temos com o mundo ao nosso redor. Cada emoção representa uma reação única diante de determinadas circunstâncias, pessoas ou eventos. Elas podem ser intensas e momentâneas, como a alegria ou a tristeza, ou podem ser estados emocionais mais duradouros, como o amor ou o ódio.</p>



<p id="viewer-31iqf">Essas emoções têm um impacto direto em nossa experiência subjetiva do mundo. Elas influenciam nossa percepção, colorindo nossa interpretação dos eventos e das situações. Por exemplo, se estamos tomados pela raiva, é provável que enxerguemos os outros de forma negativa, interpretando suas ações como ameaças ou desrespeito. Por outro lado, se estamos cheios de amor e gratidão, tendemos a perceber o mundo com mais generosidade e compaixão. Além disso, as emoções também têm o poder de influenciar nossas ações e comportamentos. Elas nos impulsionam a agir de certas maneiras, orientando nossas escolhas e direcionando nossos esforços. Por exemplo, a emoção do medo pode nos levar a evitar situações consideradas perigosas, enquanto o desejo pode nos impelir a buscar algo que nos traga prazer. Spinoza também ressalta que as emoções não surgem isoladamente, mas estão interconectadas em uma rede complexa. Uma emoção pode desencadear outras, e todas elas podem se influenciar mutuamente. Por exemplo, a tristeza pode levar à solidão, e a solidão, por sua vez, pode aprofundar a tristeza.</p>



<p id="viewer-7c3ht">No entanto, apesar das emoções e das paixões influenciarem, de modo rotineiro, as nossas ações e pensamentos, Spinoza acredita que podemos desenvolver uma compreensão mais consciente e saudável dessas emoções, permitindo-nos agir de forma mais livre e autêntica. Ou seja, ele nos indica que ao reconhecermos nossas emoções atribuindo-lhes um nome, elevando-as ao estatuto da linguagem e da simbolização, conhecendo suas origens e seus efeitos, conseguiremos nos afastar da prisão que nos impele a agir sem propósito, movidos por uma força que desconhecemos de onde vem e que nos causa tanto desconforto. Por meio desse processo de autoconhecimento, podemos aprender a reconhecer nossas emoções, compreender suas causas e efeitos, e agir de forma mais alinhada com nossos valores e objetivos. Ao fazer isso, nos tornamos mais capacitados para lidar com as situações da vida, superar desafios e cultivar relacionamentos mais saudáveis.</p>



<p id="viewer-1k7db">De acordo com Spinoza, a saúde psíquica reside em nossa capacidade de nos libertarmos das paixões tristes que nos aprisionam. Medo, tristeza e raiva são emoções que nos distanciam da harmonia e nos impedem de experimentar a plenitude da vida. Em contrapartida, ao cultivarmos alegria e amorosidade, encontramos o equilíbrio necessário para enfrentar os desafios com resiliência e serenidade. A saúde psíquica, para Spinoza, é alcançada quando conseguimos enxergar a verdadeira natureza das coisas e a aceitá-las como são. Ao abandonarmos expectativas irreais e ilusões, encontramos uma harmonia íntima com o mundo que nos cerca. Essa sincronia nos permite lidar com os altos e baixos da vida de maneira mais suave, fortalecendo nossa saúde mental e emocional. Spinoza nos desafia a transcender as limitações que impomos a nós mesmos e a descobrir a verdadeira natureza da existência. Sua filosofia é um convite para explorarmos nossa própria potência de vida e vivermos de forma mais conectada e realizada. No entanto, é importante reconhecer que a jornada de desenvolvimento proposta por Spinoza pode ser desafiadora. Em muitos casos, a análise e a psicoterapia são necessárias para compreendermos as complexidades de nossas dinâmicas emocionais. A compulsão à repetição, por exemplo, é um conceito psicanalítico que destaca a tendência humana de repetir padrões de comportamento e experiências emocionais não elaboradas. Esses padrões podem impedir nosso crescimento e amadurecimento, mantendo-nos presos a estados de sofrimento e desconexão que impedem nosso poder de agir.</p>



<p id="viewer-bikb4">Agora que sabemos que temos uma potência para agir e que ela precisa ser desenvolvida em benefício da na nossa saúde psíquica, apresento algumas práticas que podem nos ajudar nesse processo:</p>



<ol class="wp-block-list">
<li>Autoconhecimento: Compreender nossas características, valores, pontos fortes e áreas de crescimento é fundamental para direcionar nossa energia e esforços de maneira eficaz. Através da análise, podemos identificar o que nos traz alegria e satisfação e direcionar nossas atividades nessa direção.</li>



<li>Autocuidado: Cuidar de nós mesmos é essencial para nutrir nossa capacidade de afetar e sermos afetados de maneira ativa e positiva. Cuidar da saúde física, dos relacionamentos, cuidar da mente, reservar momentos para o deleite, o ócio, o descanso. Também implica em reservar tempo para atividades que nos tragam prazer e relaxamento, como hobbies, meditação ou simplesmente estar em contato com a natureza.</li>



<li>Relacionamentos significativos: Cultivar relacionamentos saudáveis e significativos com outras pessoas é uma fonte importante de amorosidade e apoio emocional. Buscar conexões autênticas, compartilhar experiências, expressar gratidão e praticar a empatia são maneiras de experimentarmos ser quem temos potencial para ser.</li>



<li>Resiliência emocional: Desenvolver habilidades para lidar com as adversidades da vida é essencial para manter nossa potência de vida. Isso envolve cultivar a capacidade de adaptar-se às mudanças, buscar soluções criativas, aprender com os desafios e manter uma perspectiva otimista. A psicoterapia de orientação psicanalítica e outras práticas de autocuidado são recursos valiosos nesse processo.</li>
</ol>



<p id="viewer-3jdvj">Ao reconhecermos e desenvolvermos nossa potência de agir, tomando as rédeas da nossa vida, sabendo reconhecer aquilo que nos afeta negativamente, baixando nosso potencial de vida, abrimos caminho para a alegria, a amorosidade e a serenidade. Essas qualidades se tornam recursos para enfrentar os desafios da vida com maior equilíbrio, resiliência e bem-estar psíquico.</p>



<p id="viewer-8bajh">Espero que este texto desperte seu interesse e incite sua curiosidade sobre o pensamento de Spinoza. Se tiver mais perguntas ou precisar de alguma orientação adicional, sinta-se à vontade para entrar em contato. Estou aqui para ajudá-la e ajudá-lo em sua jornada de crescimento e bem-estar.</p>



<p id="viewer-95ae6">Referência:</p>



<p id="viewer-sjq1">Spinoza, Baruch de. <strong>Ética &#8211; </strong>Demonstrada à Maneira dos Geômetras. 1ª edição. Le Books [DP]</p>
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		<title>Transmissão Psíquica Transgeracional, o que será isso?</title>
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		<dc:creator><![CDATA[_adm-site@]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 24 Mar 2024 16:28:03 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Psicoterapias]]></category>
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					<description><![CDATA[A transmissão psíquica transgeracional é um fenômeno observado pela psicanálise vincular, que se refere à transmissão de emoções, conflitos, fantasias, segredos e identificações inconscientes de uma geração para outra dentro de uma mesma família. É um processo complexo que pode envolver diversos fatores, como a relação dos pais com seus próprios pais, como experiências de [&#8230;]]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<h4 class="wp-block-heading" id="viewer-dm477">A transmissão psíquica transgeracional é um fenômeno observado pela psicanálise vincular, que se refere à transmissão de emoções, conflitos, fantasias, segredos e identificações inconscientes de uma geração para outra dentro de uma mesma família. </h4>



<p id="viewer-dm477">É um processo complexo que pode envolver diversos fatores, como a relação dos pais com seus próprios pais, como experiências de vida dos pais e a relação dos filhos com seus pais.</p>



<p id="viewer-ct2jn">Segundo René Kaës (1996), um dos teóricos da psicanálise vincular, a transmissão psíquica transgeracional é um processo inconsciente, ou seja, muitas vezes as pessoas não estão cientes de que estão transmitindo essas emoções e conflitos para seus filhos e netos, podendo ocorrer por meio de gestos, atitudes, palavras ou até mesmo silêncios.</p>



<p id="viewer-4a0ih">Talvez você esteja se perguntando se essa tal transmissão psíquica transgeracional tem algo de positivo, já que, pelo que aparenta, é algo ao qual somos submetidos sem que nossa vontade possa interferir, então deveria nos oferecer coisas boas também. Sim, se você pensou isso saiba que a transmissão psíquica transgeracional pode ser tanto positiva quanto negativa. Uma transmissão positiva pode ser a transmissão de valores, tradições e comportamentos saudáveis ​​e adaptativos. Por outro lado, uma transmissão negativa pode ser a transmissão de conflitos, traumas, transtornos comportamentais e mentais, que não foram simbolizados e elaborados pelas gerações anteriores.</p>



<p id="viewer-5sn2r">Terezinha Féres-Carneiro (2006), outra teórica da psicanálise vincular, destaca a importância de se compreender a transmissão psíquica transgeracional para entender a dinâmica familiar disfuncional a fim de intervir de forma terapêutica. Ela afirma que a transmissão psíquica transgeracional pode ser interrompida por meio de uma reflexão consciente sobre as emoções e comportamentos transmitidos, e da elaboração dos conflitos e emoções inconscientes.</p>



<p id="viewer-a2111">Um dos meios empregados para obtermos um panorama das transmissões psíquicas transgeracionais é o genograma. Esta ferramenta é utilizada em terapia familiar para ajudar a mapear a história e as relações familiares ao longo das gerações. É uma espécie de árvore genealógica, que inclui informações sobre a estrutura familiar, eventos vivenciados, relacionamentos e comportamento dos membros da família. A partir do seu uso podemos enxergar com mais clareza os tipos de vínculos, os padrões de relacionamento e adoecimento que se repetem ao longo do tempo, tendo mais condições de propor intervenções clínicas que favoreçam a reflexão sobre comportamentos e emoções do presente que estão sendo influenciados por ações do passado familiar e transformar essas ações em oportunidades para a mudança e o bem estar da família.</p>



<p id="viewer-43ik6">Referências bibliográficas:</p>



<ul class="wp-block-list">
<li>FÉRES-CARNEIRO, T. Psicanálise vincular: o sujeito na relação. São Paulo: Casa do Psicólogo, 2006.</li>



<li>KAËS, R. Transmissão da vida psíquica entre gerações. São Paulo: Casa do Psicólogo, 1996.</li>
</ul>



<p id="viewer-c70bu">Arte<em> </em><a target="_blank" href="https://www.instagram.com/lauraguerra.art/" rel="noreferrer noopener"><em>@lauraguerra.art</em></a><em> </em>&#8211; Família</p>
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		<title>Teoria Familiar Sistêmica: conceitos e métodos.</title>
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		<dc:creator><![CDATA[_adm-site@]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 24 Mar 2024 16:27:13 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[A Família pode adoecer e sofrer Dentro da perspectiva da teoria familiar sistêmica, conforme delineado por Salvador Minuchin (1990), a família, enquanto unidade sistêmica, pode adoecer e sofrer devido a uma série de dinâmicas internas disfuncionais. Os conceitos da teoria familiar sistêmica enfatizam que as relações familiares são fundamentais para a saúde psicológica de seus [&#8230;]]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<h3 class="wp-block-heading" id="viewer-0huqq1491"><strong>A Família pode adoecer e sofrer</strong></h3>



<p id="viewer-mwzm91489">Dentro da perspectiva da teoria familiar sistêmica, conforme delineado por Salvador Minuchin (1990), a família, enquanto unidade sistêmica, pode adoecer e sofrer devido a uma série de dinâmicas internas disfuncionais. Os conceitos da teoria familiar sistêmica enfatizam que as relações familiares são fundamentais para a saúde psicológica de seus membros e qualquer desequilíbrio nesse sistema pode levar a manifestações de sofrimento e adoecimento. A seguir exploraremos as razões pelas quais uma família pode adoecer e sofrer.</p>



<h3 class="wp-block-heading" id="viewer-f7vzw2462"><strong>Estruturas Familiares Fechadas e Enrijecidas</strong></h3>



<p id="viewer-aqgk81493">Minuchin identifica que famílias com estruturas fechadas e enriquecidas têm dificuldade em se adaptar às mudanças e desafios, o que pode levar a um sofrimento psíquico coletivo. Essas famílias têm dificuldade para ajustar seus padrões de interação diante de novas circunstâncias, mantendo-se presas em dinâmicas disfuncionais que perpetuam o sofrimento.</p>



<h3 class="wp-block-heading" id="viewer-kgzx71495"><strong>Limites Inapropriados de acordo com a teoria familiar sistêmica</strong></h3>



<p id="viewer-rsiqt1497">A teoria de Minuchin destacou a importância de limites claros e definidos dentro da família, tanto entre os membros quanto entre os subsistemas familiares (por exemplo, pais e filhos). Limites difusos ou rígidos demais podem impedir a expressão saudável de sentimentos e necessidades, causando conflitos, mal-entendidos e o adoecimento da família.</p>



<h3 class="wp-block-heading" id="viewer-5j0bv1499"><strong>Alianças e Coalizões Disfuncionais</strong></h3>



<p id="viewer-j8jq21501">As alianças e coalizões dentro da família, que excluem ou sobrecarregam certos membros, criam desequilíbrios e sofrimento. Tais dinâmicas podem forçar os membros da família a assumirem papéis disfuncionais, como o de “paciente identificado”, onde uma pessoa é designada para manifestar os sintomas do desequilíbrio familiar.</p>



<h3 class="wp-block-heading" id="viewer-goqd61503"><strong>Falha na Adaptação a Transições de Vida</strong></h3>



<p id="viewer-eko9m1505">Minuchin também aponta que o sofrimento e as disfunções familiares podem surgir da incapacidade de se adaptar especificamente às transições normais da vida, como nascimento de filhos, adolescência, casamento dos filhos, envelhecimento dos pais, entre outros. A resistência à reorganização dos papéis e à redefinição das relações durante essas transições pode resultar em estagnação e conflito.</p>



<h3 class="wp-block-heading" id="viewer-kcz5f1507"><strong>Resposta a Estressores Externos</strong></h3>



<p id="viewer-o4gyh1509">A teoria sistêmica sustenta que as famílias não existem isoladamente, mas interagem constantemente com sistemas maiores (sociais, econômicos, culturais), desta maneira, a incapacidade de uma família se adaptar a estressores externos, mantendo ao mesmo tempo a coesão e o suporte mútuo, pode levar a uma sobrecarga de estresse, afetando a saúde mental e emocional de seus membros.</p>



<p id="viewer-pyz5l1511">Segundo Minuchin, uma intervenção terapêutica focada na reestruturação das dinâmicas familiares pode promover muito equilíbrio e bem-estar. Ao identificar e modificar padrões disfuncionais de interação, a terapia sistêmica familiar visa não apenas aliviar o sofrimento psíquico, mas também fortalecer as relações familiares, promovendo um ambiente mais saudável e adaptativo para todos os seus membros.</p>



<p id="viewer-8djnt">Tendo essas premissas em mente, podemos dizer que a terapia familiar sistêmica é uma abordagem terapêutica que se concentra no funcionamento da família como um todo, em vez de se concentrar apenas em indivíduos. Ela considera que as relações dentro da família são interdependentes e que as ações de um membro da família afetam o sistema como um todo.</p>



<p id="viewer-56qtk">A abordagem familiar sistêmica procura compreender como os padrões de interação entre os membros da família podem levar a comportamentos disfuncionais e como a mudança desses padrões pode ajudar a melhorar o funcionamento da família. Dentro desta perspectiva, nós trabalhamos com a família para identificar padrões disfuncionais de interação e ajudá-la a encontrar novas formas de se comunicar e se relacionar.</p>



<p id="viewer-6sfti">Referência:</p>



<p id="viewer-5fdvf">MINUCHIN, S. Famílias e Terapia Familiar. Tradução de José Octávio de Aguiar Abreu. São Paulo: Martins Fontes, 1990.</p>
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		<title>Por que a pandemia de COVID contribuiu para o aumento de casos de ansiedade?</title>
		<link>https://www.psicologalauraguerra.com.br/post/por-que-a-pandemia-de-covid-contribuiu-para-o-aumento-de-casos-de-ansiedade/</link>
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		<pubDate>Sun, 24 Mar 2024 16:25:06 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Psicoterapias]]></category>
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					<description><![CDATA[Talvez você tenha notado um aumento de relatos de pessoas que se dizem ansiosas ou que já tenham tido um diagnóstico de transtorno de ansiedade. Pode ser uma colega de trabalho, um familiar, ou até mesmo você pode estar com sintomas de ansiedade que aumentaram durante e após a pandemia de COVID. A pandemia de [&#8230;]]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<h4 class="wp-block-heading" id="viewer-algfs">Talvez você tenha notado um aumento de relatos de pessoas que se dizem ansiosas ou que já tenham tido um diagnóstico de transtorno de ansiedade. </h4>



<p id="viewer-algfs">Pode ser uma colega de trabalho, um familiar, ou até mesmo você pode estar com sintomas de ansiedade que aumentaram durante e após a pandemia de COVID.</p>



<p id="viewer-90ke4">A pandemia de COVID-19 trouxe uma série de desafios para a saúde mental das pessoas em todo o mundo. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), houve um aumento significativo nos níveis de ansiedade, depressão e estresse em muitos países desde o início da pandemia.</p>



<p id="viewer-eih94">No Brasil, de acordo com dados do Ministério da Saúde, houve um aumento significativo nas consultas psicológicas e psiquiátricas desde o início da pandemia de COVID-19. No primeiro ano da pandemia, 2020, houve um aumento de 50% nas consultas psicológicas e um aumento de 20% nas consultas psiquiátricas em comparação com o ano anterior (Ministério da Saúde, 2021).</p>



<p id="viewer-5e48i">Uma das explicações para esse aumento é que a pandemia gerou muitas emoções e dúvidas em relação ao futuro, como a saúde, a economia e as relações sociais. O isolamento social e as restrições de mobilidade necessárias para o controle do contágio com o coronavírus, ocasionaram a sensação de solidão e desconexão social, levando ao aumento do estresse e da ansiedade.</p>



<p id="viewer-dk2s2">Além disso, a pandemia também expôs as desigualdades sociais e a deficiência dos sistemas públicos, agravando a sensação de impotência e desesperança em relação ao futuro, já presentes na sociedade.</p>



<p id="viewer-2tt4h">Devemos destacar que o isolamento social, uma das medidas necessárias para conter a propagação do vírus e proteger a saúde pública, foi um dos principais fatores que contribuíram para o aumento do sofrimento psíquico durante a pandemia.</p>



<p id="viewer-5j8qf">Embora essa medida precisasse ser adotada, os seus efeitos negativos na saúde mental das pessoas são evidentes, já que privaram-nas do contato social, desfazendo conexões afetivas importantes para a preservação do bem estar mental coletivo.</p>



<p id="viewer-btgc5">Para Erich Fromm, psicanalista e filósofo social, que estudou os efeitos da sociedade na saúde mental dos indivíduos, critica a falta de contato humano e de conexões na vida moderna, afirmando que este fenômeno pode acarretar problemas emocionais e psicológicos, tal como os observados durante e após a pandemia.</p>



<p id="viewer-c6liq">Segundo Fromm (2004), nossas emoções e o modo como nos comportamos sofrem a influência da sociedade e da cultura na qual estamos inseridos, neste sentido, o isolamento social durante a pandemia, a incerteza sobre a continuidade do trabalho, o medo e a insegurança em relação à própria saúde e dos seus familiares, o medo da morte, a falta de expectativa quanto ao fim da pandemia, são causas predisponentes para o agravamento dos estados de saúde mental.</p>



<p id="viewer-27s1">Referências bibliográficas:</p>



<p id="viewer-rn2f">Fromm, E. (2004). O medo à liberdade. Paz e Terra.</p>



<p id="viewer-eblh">Ministério da Saúde. (2021). Atenção à saúde mental durante a pandemia de COVID-19. Acessado em 1 de abril de 2023, de &lt;<a target="_blank" href="https://www.gov.br/saude/pt-br/assuntos/noticias/atencao-a-saude-mental-durante-a-pandemia-de-covid-19" rel="noreferrer noopener">https://www.gov.br/saude/pt-br/assuntos/noticias/atencao-a-saude-mental-durante-a-pandemia-de-covid-19</a>&gt;</p>
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		<title>O que é Psicoterapia Psicodinâmica?</title>
		<link>https://www.psicologalauraguerra.com.br/post/o-que-e-psicoterapia-psicodinamica/</link>
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		<pubDate>Sun, 24 Mar 2024 16:24:13 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Psicoterapias]]></category>
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					<description><![CDATA[Uma compreensão profunda da mente, das relações e da história emocional. A psicoterapia psicodinâmica é uma das formas mais consistentes e transformadoras de cuidado psicológico, porque se propõe a investigar aquilo que, embora não esteja na superfície da consciência, orienta grande parte do que sentimos, pensamos e fazemos. Diferente de abordagens focadas apenas nos sintomas, [&#8230;]]]></description>
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<p class="has-black-color has-text-color has-link-color wp-elements-0bc6848263f15393150228a4b772ddec" id="viewer-f5p4v">Uma compreensão profunda da mente, das relações e da história emocional.</p>



<h4 class="wp-block-heading has-text-color has-link-color wp-elements-24d0afb2136ba1eac14c00fa036f45a8" style="color:#c4981e">A psicoterapia psicodinâmica é uma das formas mais consistentes e transformadoras de cuidado psicológico, porque se propõe a investigar aquilo que, embora não esteja na superfície da consciência, orienta grande parte do que sentimos, pensamos e fazemos. Diferente de abordagens focadas apenas nos sintomas, a psicoterapia psicodinâmica busca compreender a lógica emocional que sustenta o sofrimento, investigando como experiências precoces, modos de vínculo e conflitos internos moldam a maneira como o sujeito se relaciona consigo, com o outro e com o mundo.</h4>



<p>Essa abordagem parte do pressuposto de que a vida psíquica é mais ampla do que a consciência. Há sentimentos que não nomeamos, desejos que não reconhecemos, medos que não entendemos e histórias emocionais que continuam atuando mesmo quando acreditamos tê-las deixado para trás. Não se trata de “procurar traumas ocultos”, mas de reconhecer que o inconsciente se expressa nas escolhas, nos relacionamentos, nos sintomas, nas fantasias e na repetição de padrões que o sujeito não consegue modificar sozinho, apesar do sofrimento que causam.</p>



<p>A psicoterapia psicodinâmica entende que esses padrões não surgem ao acaso: eles se formam, sobretudo, nas primeiras relações de cuidado, no modo como o bebê internaliza a sensibilidade (ou a ausência dela) do ambiente, e se consolidam ao longo da infância e da vida adulta. Autores como Fonagy e Target (2012) mostram que a capacidade de compreender a si mesmo — chamada de mentalização — se desenvolve dentro de vínculos seguros. Quando esses vínculos foram inconsistentes, traumáticos ou emocionalmente confusos, o sujeito pode ter dificuldade em reconhecer seus próprios estados internos, interpretar corretamente os sentimentos dos outros ou manter relações estáveis. A psicoterapia psicodinâmica oferece um ambiente em que essa capacidade pode ser reconstruída.</p>



<p>O principal instrumento dessa abordagem é a relação terapêutica. É nela que o paciente revive, sem perceber, modos antigos de se vincular: expectativas de rejeição, idealização, medos de abandono, dificuldades em confiar, tendências a agradar ou a se submeter, reações impulsivas, defesas emocionais rígidas. Esses movimentos emergem na forma de <strong>transferência</strong>, isto é, uma atualização de experiências antigas dentro do vínculo atual com o terapeuta. É justamente aí que reside a potência terapêutica: ao analisar o que acontece entre paciente e terapeuta, é possível compreender como esses padrões foram formados e, sobretudo, começar a transformá-los.</p>



<p>Autores como Gabbard (1998) enfatizam que a psicoterapia psicodinâmica é uma investigação conjunta, centrada nas emoções e nos significados pessoais que o paciente vai descobrindo pouco a pouco. Não se trata de interpretar tudo a todo momento, mas de construir uma narrativa emocional mais verdadeira, capaz de integrar aspectos antes dissociados ou evitados da experiência do sujeito. A terapia psicodinâmica contemporânea é viva, dialogada, voltada para compreender e reorganizar afetos que antes apareciam de maneira caótica, impulsiva ou sintomática.</p>



<p>Embora muitos associem essa abordagem ao uso de técnicas clássicas como a livre associação ou a interpretação dos sonhos, o que realmente caracteriza a psicoterapia psicodinâmica é a investigação dos conflitos internos, dos mecanismos de defesa e da forma como o paciente organiza sua vida afetiva. A análise dos sonhos pode revelar elementos importantes da vida emocional; as associações livres ajudam o paciente a acessar conteúdos que não surgem em conversas estruturadas; e a observação das defesas — como racionalização, negação, projeção, clivagem — permite compreender como o sujeito tenta lidar com sentimentos difíceis que não consegue elaborar.</p>



<p>Uma das contribuições mais importantes de autores psicodinâmicos contemporâneos, como McWilliams (2011), é a ideia de que ninguém procura terapia apenas por ter “sintomas”, mas porque sofre com padrões que se repetem, com conflitos que parecem insolúveis, com relacionamentos que se organizam sempre do mesmo modo, com emoções que surgem com intensidade desproporcional. A psicoterapia psicodinâmica ajuda o paciente a perceber que esses padrões têm uma lógica interna — e que entendê-los é o primeiro passo para transformá-los.</p>



<p>Ao longo do processo terapêutico, o sujeito passa a compreender suas emoções com mais clareza, reconhecer seus limites e necessidades, relacionar-se com mais autenticidade e fazer escolhas menos determinadas pelo medo, pela culpa ou pela repetição inconsciente. Muitas vezes, isso significa conseguir dizer “não”, suportar frustrações, abandonar relações destrutivas, organizar o próprio desejo, construir uma vida afetiva mais estável ou diminuir comportamentos autossabotadores. Não se trata apenas de “entender” algo intelectualmente, mas de vivenciar novas formas de sentir e de se relacionar, no corpo e na experiência.</p>



<p>A psicoterapia psicodinâmica não promete mudanças rápidas, mas oferece mudanças profundas. Quando o paciente começa a nomear sentimentos que antes apenas o dominavam, quando reconhece mecanismos que o aprisionavam em repetições, quando percebe que pode agir com mais liberdade emocional, algo essencial se reorganiza dentro dele. Essa é a transformação que essa abordagem possibilita: não um alívio superficial, mas a construção de um modo de existir mais coerente, integrado e verdadeiro.</p>



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<h1 class="wp-block-heading"><strong>Referências</strong></h1>



<p>FONAGY, P.; TARGET, M.; GERGELY, G.; ALLEN, J. P.; BATEMAN, A. <em>Regulação afetiva, mentalização e o desenvolvimento do self</em>. Porto Alegre: Artmed, 2012.</p>



<p>GABBARD, G. O. <em>Psiquiatria psicodinâmica</em>. Porto Alegre: Artmed, 1998.</p>



<p id="viewer-j03r">MCWILLIAMS, N. <em>Psicanálise e psicoterapia psicanalítica</em>. Porto Alegre: Artmed, 2011.</p>



<p></p>
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		<title>Como é uma sessão de psicoterapia?</title>
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		<pubDate>Sun, 24 Mar 2024 16:22:23 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Muitas pessoas têm curiosidade sobre como é uma sessão de psicoterapia, costumam ter dúvidas sobre o que vai ser falado, como deve se comportar, o que esperar daquele encontro, entre outras questões. Talvez essas dúvidas possam estar te impedindo de buscar ajuda por não saber como é uma sessão ou o que a psicoterapia pode [&#8230;]]]></description>
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<h4 class="wp-block-heading" id="viewer-2vfhc">Muitas pessoas têm curiosidade sobre como é uma sessão de psicoterapia, costumam ter dúvidas sobre o que vai ser falado, como deve se comportar, o que esperar daquele encontro, entre outras questões. </h4>



<p id="viewer-2vfhc">Talvez essas dúvidas possam estar te impedindo de buscar ajuda por não saber como é uma sessão ou o que a psicoterapia pode fazer por você. Então vou tentar sanar algumas de suas dúvidas.</p>



<p id="viewer-7fhre">As sessões de psicoterapia podem variar um pouco, dependendo da abordagem adotada e das necessidades do (a) paciente. No entanto, geralmente, elas seguem um formato similar, com algumas variações. Habitualmente, a pessoa em tratamento é recebida pelo (a) psicólogo (a) e escolhe um lugar confortável para sentar, enquanto pode iniciar uma conversa mais trivial para quebrar o gelo inicial até se sentir em condições de falar sobre o que lhe importa naquele dia. O (a) terapeuta dará oportunidade para a pessoa falar sobre o que lhe vier à mente, qualquer coisa pode ser falada, pois ela não fará julgamentos e nem imporá à pessoa o que deveria ser dito.</p>



<p id="viewer-cv5p5">Do nosso lado, neste momento de fala do (a) paciente, devemos estar atentos para evitar desejar uma determinada decisão que compete apenas à pessoa, mantendo, o quanto possível, a imparcialidade na escuta das suas histórias. Estar na clínica é estar disponível para ser surpreendido (a) a cada encontro com seu (sua) paciente, pois a clínica não é uma novela cronologicamente estabelecida, a clínica é o lugar das cenas anacrônicas que vêm à tona através das falas, compondo, a cada sessão, um roteiro que poderá ser compreendido e ressignificado. Neste contexto de &#8220;setting&#8221; terapêutico, o papel do (a) terapeuta é de ouvir com atenção e pontuar algumas falas, podendo fazer perguntas para tentar entender melhor a situação que o (a) paciente traz, e também para provocar-lhe algumas reflexões sobre o que foi dito.</p>



<p id="viewer-2ni00">Se a pessoa estiver com dificuldade de iniciar sua fala, o (a) terapeuta pode ajudá-la perguntando como tem se sentido desde a última sessão e o (a) paciente pode trazer preocupações, problemas ou desafios que enfrentou durante a semana ou desde a última sessão, iniciando, assim , a sessão daquele dia.</p>



<p id="viewer-binps">Para psicólogos (as) atentos (as), até mesmo a dificuldade que a pessoa tem para iniciar a fala numa sessão é um conteúdo importante para ser levado à reflexão. O (a) terapeuta e o (a) paciente trabalham juntos (as) para explorar essas e outras questões e conhecerem quais são os pensamentos, sentimentos e comportamentos que estão contribuindo para o problema ou desafio em questão. O (a) terapeuta pode fazer perguntas abertas para encorajar o (a) paciente a explorar suas emoções e pensamentos mais profundamente.</p>



<p id="viewer-bl3tk">No final da sessão, que dura em média 50 minutos, o (a) terapeuta pode retomar as principais ideias e estratégias discutidas, e perguntar como o (a) paciente se sente após aquela sessão e verificar se ele (a) precisa de mais tempo para se recompor. Aqui eu te lembro novamente que a clínica é um fazer diário, não tem receita pronta, pois trabalhamos com a sensibilidade, com o acolhimento e com a valorização dos sentimentos que os (as) pacientes nos trazem, então uma sessão não é sentar falar, esclarecer dúvidas, encontrar explicação para tudo. Numa sessão de psicoterapia temos em mente que tudo que se fala, em qualquer contexto, tem uma força que afeta e altera o outro, por isso temos esse cuidado de respeitar o limite de cada pessoa que tratamos e nos dispomos ao acolhimento sempre que necessário.</p>
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